Os instrumentos paleolíticos foram recolhidos na faixa litoral minhota, no âmbito de um projecto de investigação arqueológica realizado sobretudo na década de 1980. Este projecto teve como objectivo estudar a evolução dos depósitos geológicos quaternários nessa zona e relacioná-los com as diversas técnicas de talhe de instrumentos líticos.

Na produção desses objectos pré-históricos foram exclusivamente utilizados seixos de quartzito, matéria-prima local abundante, mesmo à superfície.

Algumas das peças mais antigas, com destaque para os artefactos de maiores dimensões, foram talhadas nas duas faces, característica que fundamentou a proposta da sua integração nas indústrias pré-históricas de tipo Acheulense. Posteriormente, a partir de, aproximadamente, 128.000 anos, assistiu-se à crescente utilização do talhe unifacial, originalidade que marcou a subsequente evolução local dos sistemas de produção de materiais líticos pré-históricos.

Cinco instrumentos paleolíticos talhados em seixos quartzíticos.
A evolução operada nas técnicas de talhe realça a extraordinária capacidade de adaptação do Homem pré-histórico ao meio, nomeadamente na aplicação de procedimentos técnicos que, embora caracterizados pela sua progressiva simplificação, procuram rentabilizar ao máximo as características morfológicas e mecânicas da matéria–prima disponível.