Estas evidências estão associadas à ocupação de abrigos sob rocha, situados a altitudes inferiores a 1000 metros. Estes locais não só ofereciam boas condições de habitabilidade, como permitiam o desenvolvimento de uma estratégia organizada de implantação e exploração do território, alicerçada no controlo de vias naturais de circulação, na proximidade de recursos hídricos e em relação com a exploração da riqueza cinegética.
Fragmento de afiador ou polidor em xisto do Mesolítico Num desses abrigos, o Abrigo 1 de Vale de Cerdeira (Vieira do Minho), cuja ocupação foi datada de 6240 e 6090 BP, foram encontradas duas lareiras e um vasto conjunto de objectos líticos talhados. Na sua manufactura foi utilizada, predominantemente, a matéria-prima local: o quartzo leitoso e hialino. Contudo, a presença de alguns materiais em sílex, rocha não representada na região, revela também a existência de uma circulação de matérias-primas a longa distância.
Os utensílios, de pequenas dimensões (micrólitos), são de tipologia diversificada.
A ocupação atribuída ao Neolítico Antigo está assinalada pela presença da tecnologia cerâmica (fabrico manual, com e sem decoração), do polimento da pedra e por uma alteração na representação de algumas das categorias de artefactos líticos.