O Bronze Inicial/Médio (fins do III e grande parte do II milénios a.C.) caracterizou-se pela ocupação de terras férteis de vale e montanha, onde se instalaram povoados, de curta e média duração, dos quais restaram vestígios de cabanas construídas com materiais perecíveis, lareiras e fossas abertas no solo.
Os dados paleoambientais revelam uma certa degradação do bosque tradicional e evidenciam uma actividade agro-pastoril crescente. Nesta fase desenvolveu-se a metalurgia do bronze e surgindo indícios de rituais ligados com a ocultação de artefactos metálicos, na proximidade da água ou sob penedos.

Conjunto de quatro vasos de largo bordo horizontal, de cerâmica manual da Idade do Bronze.Desaparecem os túmulos colectivos de carácter megalítico, embora estes tivessem sido, por vezes, reutilizados ou substituídos por construções pétreas semelhantes, o que poderá indiciar a persistência de um culto dos antepassados. Estes deram lugar, a diferentes tipos de sepulturas planas, de inumação individual, invisíveis na paisagem. O espólio sepulcral mais comum é constituído por vasos cerâmicos, embora, nalguns casos, os mortos fossem enterrados com armas e jóias que denunciam prestígio e uma diferenciação social acentuada.

Durante o Bronze Final (entre os finais do II e meados do I milénios a.C.) as estratégias de ocupação do espaço diversificam-se, admitindo-se nalguns locais, a existência de uma hierarquia de povoamento. Datam, desta fase, os primeiros recintos monumentalizados, com muralhas de pedra, fenómeno que talvez estivesse relacionado com processos embrionários de consolidação de poder.
 
Economicamente é possível que se tenham explorado os diferentes recursos do planalto e do vale, consolidando, assim, o sistema agro-silvo-pastoril: o cultivo de cereais de Verão e de Inverno, em rotatividade com leguminosas e crucíferas, assim como a criação de gado bovino, ovicaprino e suíno. Persistiram certamente as actividades como a recolecção de frutos, crustáceos, e mel, a pesca e a caça.

Da produção cerâmica destacam-se os recipientes para armazenagem, preparação, cozedura e apresentação dos alimentos, e certas formas raras para fins rituais. O aparecimento dos primeiros cossoiros sugere uma nova técnica de fiação. Os objectos líticos pressupõem a prática de actividades variadas, desde a moagem à metalurgia. Registou-se uma maior circulação de objectos em bronze, relacionados com o aumento de contactos à distância e com fins rituais.

Durante este período, os enterramentos são mal conhecidos mas revelam proximidade com o mundo dos vivos, o que talvez se relacione com novas concepções do espaço em que o povoado se torna o ponto de referência identitária mais importante na paisagem.