Assim e de forma esquemática, podemos enumerar as principais linhas de actuação ao nível da actividade do sector técnico laboratorial:
- restauro de espólio – para além de assegurar o tratamento e restauro de todo o espólio exumado nas escavações de Bracara Augusta, quer se tratassem de salvamentos, ou de locais em estudo, o museu tem apoiado a recuperação de achados provenientes de estações arqueológicas inseridas no Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos, ou de colecções já depositadas em museus ou núcleos museológicos, muitos dos quais em reestruturação;
- registo de peças – complementarmente ao restauro das peças, e tem sido também realizado o seu registo gráfico e fotográfico e respectivo inventário, com vista à elaboração de catálogos, ou outras edições de carácter científico, ou de grande divulgação. Toda esta informação integra a base de dados do museu;
- valorização de sítios ou núcleos de ruínas arqueológicas – à semelhança do que se passou com o espólio, o Museu deu apoio técnico à preservação e valorização das ruínas arqueológicas na cidade de Braga, núcleos esses que hoje, integraram um circuito arqueológico de visita, em torno do Museu. O apoio à integração de ruínas na malha urbana actual, tem permitido a fruição destes espaços, por parte do público e fomentado novos valores, tendentes à valorização dos testemunhos que constituem a memória viva da cidade.

Paralelamente ao trabalho de valorização dos vestígios arqueológicos na cidade, o Museu tem dado apoio à valorização de sítios e núcleos de ruínas espalhadas pela região, muitos dos quais beneficiaram, para esse efeito, de fundos provenientes de programas de apoio comunitário.
Ao colaborar nestas iniciativas que reputamos da maior relevância, o Museu contribuiu para a criação de uma rede de sítios que pode vir a sustentar uma oferta turística de cariz cultural que traduza a especificidade e a riqueza do património regional.

Todo este trabalho eminentemente técnico que referimos e que não é perceptível ao grande público é complementado por uma outra vertente, mais virada para a comunicação e divulgação dos valores patrimoniais. Nesse âmbito, o Museu tem prestado os seguintes apoios:
- serviços educativos – preferencialmente voltados para as Escolas e que têm assegurado a organização de visitas guiadas à exposição e às ruínas de Bracara Augusta, ou pontualmente, a outros locais de interesse arqueológico. Quando devidamente enquadradas, desenvolvemos outras actividades, em escolas ou para grupos organizados, que tenham em vista a divulgação da metodologia específica de trabalho inerente ao sector laboratorial;
- biblioteca – aberta ao público, no horário de funcionamento do Museu, tem disponibilizado algumas obras que versam a Arqueologia e o Património regional;
- elaboração de documentação didáctica – com o intuito de promover uma mais ampla divulgação das temáticas ligadas ao património regional, procedeu-se à elaboração, em conjunto com autarquias ou outros organismos de documentação didáctica, em suporte papel (maquetas, puzzles, folhetos, etc.) audio-visual (diaporamas, vídeo) e multimédia.
Estes materiais de trabalho, com uma finalidade lúdico-didáctica, tem permitido desenvolver estratégias de comunicação, sobretudo junto do público mais jovem;
- edição de revista de carácter científico – em cooperação com a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho foram editados os “Cadernos de Arqueologia”, cuja temática versa sobre os resultados dos projectos em curso na região Norte;
- acções de formação – para além de ter vindo a promover e a apoiar vários cursos de formação específica, o Museu tem acolhido inúmeros técnicos, em regime de formação em exercício, nas suas diversas áreas de intervenção. Estas acções personalizadas, são essenciais no sentido de dotar os técnicos das noções necessárias à realização de trabalhos concretos, ou de lhes dar uma formação mínima no domínio da conservação preventiva, de modo a garantir a correcta preservação do espólio à respectiva guarda;
- apoio a projectos de natureza museológica – tendo em conta a necessidade de consolidar e melhorar a rede de infraestruturas de carácter museológico na região, independentemente da sua dimensão e natureza institucional, temos vindo a apoiar projectos de criação ou reestruturação de museus e ou núcleos museológicos. Para além dos aspectos de índole laboratorial, associados ao tratamento do espólio, há ainda a assegurar outros apoios, mais específicos.

Em suma, da conjunção entre o sector de divulgação e o de natureza laboratorial, menos visível junto do grande público, tem resultado, ao longo destes anos, um plano de trabalho que tem visado responder às necessidades próprias inerentes à organização da exposição permanente do museu e à divulgação e valorização do património arqueológico existente na cidade, mas também, a uma política de valorização patrimonial concertada a nível regional, que promova a verdadeira identidade cultural desta zona do país.

Importa pois projectar, para o futuro, a consolidação e a expansão de elos de cooperação não só com outros museus, mas também com os demais organismos intervenientes ao nível do Património, a abertura do museu à cidade e à região, de forma a promover o gosto e a fruição por uma memória colectiva e o estreitamento das ligações com todos os profissionais dos domínios específicos da museologia, com vista ao fomento de uma política museológica nacional.