Encontram-se já devidamente inventariadas e catalogadas cerca de 1500 publicações que foram recentemente depositadas no Museu Regional de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga, pelo Dr. José João Rigaud de Sousa, entre monografias e revistas da especialidade, portuguesas e estrangeiras, versando as diversas áreas da Arqueologia. Este espólio integra algumas edições muito raras e séries completas, como por exemplo “Portugal Antigo e Moderno” de Pinho Leal, “Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular” de Américo Costa, ou a quase totalidade da colecção de “O Tripeiro”.
Para além deste fabuloso depósito, Rigaud de Sousa já tinha doado ao Museu D. Diogo de Sousa duas pedras de anel e variado espólio proveniente das suas escavações, assim como bibliografia de carácter arqueológico, da sua autoria. Mas a sua ligação com este Museu remonta já a 1973, tendo sido nesse ano nomeado seu Conservador adjunto, elaborando, então, o 1º inventário das suas colecções. Rigaud de Sousa, professor e investigador, foi pioneiro na defesa e preservação do património local, tendo incentivado o desenvolvimento da arqueologia bracarense. Dedicando-se ao estudo, especialmente, das mais remotas épocas da região bracarense, é autor de bibliografia sobre esta e outras temáticas e dirigiu as primeiras escavações na região. Membro de diversas sociedades científicas, entre as quais o movimento CODEC/ASPA que, em 1976, contribuiu para o início da operação de salvamento de Bracara Augusta.

Não menos significativas são os depósitos realizados de sete lucernas de época romana, propriedade de D. Maria Virgínia Amorim Rebelo Teixeira de Andrade e Castro Correia, encontradas em 1947 no decurso de obras na Avenida da Liberdade em Braga, um machado de alvado em bronze, de duplo anel, propriedade do Sr. José da Costa Fernandes, encontrado nas margens do Rio Cávado em Adaúfe, Braga, datado da Idade do Bronze, e um vaso da mesma época encontrado na margem do rio Lima, em Moreira de Geraz do Lima, Ponte de Lima, propriedade de Luís Filipe Rocha de Castro.

Estes depósitos vêm juntar-se a outros já anteriormente efectuados – um anel romano em ouro, propriedade do Sr. Manuel Estevão de Oliveira, uma estela funerária, propriedade do Museu do Cabido da Sé de Braga, para além de duas pedras de anel romanas, doadas por Rigaud de Sousa. Todas estas peças integram a Exposição Permanente do Museu D. Diogo de Sousa.

O acto de depósito não é irreversível e mantém o título de propriedade dos objectos na pessoa dos depositantes, sendo o Museu apenas a entidade que os acolhe, preserva e dá a conhecer.
O espólio do Museu D. Diogo de Sousa, assim enriquecido, poderá constituir uma oferta cultural de maior qualidade, sendo estes actos benéficos para a cidade de Braga e toda a Região Norte, em particular para o conhecimento da sua ocupação antiga.

A apresentação num mesmo local, de vários materiais arqueológicos, até aqui dispersos por particulares ou instituições, favorece o conhecimento do passado histórico e permite a fruição pela população do património representativo da identidade local.
Estes depósitos, representativos da nossa herança cultural, uma vez integrados num espaço público, tornam-se acessíveis a todos, garantindo-se a sua segurança e valorizando-os, correspondem a um acto de generosidade e elevada consciência cívica. A estes, outros se poderão seguir.